"A morte fica-vos tão bem"

A morte é inevitável. Como dizem, é a única certeza que temos. Não penso nela todos os dias. Ou melhor, não tenho consciência dela todos os dias. 

É estranho que continuemos a viver e a perspetivar futuros, sabendo que não será para sempre. Mas fazemo-lo. E se pararmos, deixamos de ter vontade de aqui continuar. Nunca senti essa vontade. Mas tenho momentos em que preferia estar alienada, isto é, não estar morta, mas também não estar viva

A morte não é algo que tenha sido muito presente na minha vida até agora. Passei pela tragédia de ter morrido o meu pai (digo tragédia para dar ênfase aquilo que foi e não deveria ter sido). Eu explico. Ele tinha 47 anos. Era saudável. E não merecia morrer. É simples. Mas a vida não se rege pelas mesmas simplicidades pelas quais eu tento, todos os dias, incluir na minha forma de estar. Não sou simples. Nem lá perto. Mas sou adepta de clareza e só por aí, já não é mau. 

Sou a típica pessoa que adora serviços de streaming. Netflix, hbo, disney plus, sites pirata. Vejo tantas coisas que raramente algo permanece na minha memória. Sei que vi, mas não sei sequer dizer-vos qual é o final de muitas séries que, na altura, eram as minhas preferidas. No momento enquanto as vejo, sinto como se estivesse lá, tenho as emoções das personagens, rio quando é suposto rir, choro quando é suposto chorar, tal como os realizadores pretendem. Que boa menina sou. Quando há mortes, lembro-me do meu pai. E choro. E fico triste pela tragédia. E fico triste por ele não estar na minha vida há mais de 5 anos. Fico triste por ele não conhecer quem sou agora. Ele ia ficar tão orgulhoso, como sempre esteve. Mesmo não tendo sido ele quem forneceu o espermatozóide que levou à minha fecundação. 


Tenho saudades tuas. Mas por agora, vou viver mais um pouco. 


(14 de outubro de 2023. 00h53.)

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