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"A morte fica-vos tão bem"

A morte é inevitável . Como dizem, é a única certeza que temos. Não penso nela todos os dias. Ou melhor, não tenho consciência dela todos os dias.  É estranho que continuemos a viver e a perspetivar futuros , sabendo que não será para sempre. Mas fazemo-lo. E se pararmos, deixamos de ter vontade de aqui continuar. Nunca senti essa vontade. Mas tenho momentos em que preferia estar alienada, isto é, não estar morta, mas também não estar viva .  A morte não é algo que tenha sido muito presente na minha vida até agora. Passei pela tragédia de ter morrido o meu pai (digo tragédia para dar ênfase aquilo que foi e não deveria ter sido). Eu explico. Ele tinha 47 anos. Era saudável. E não merecia morrer. É simples . Mas a vida não se rege pelas mesmas simplicidades pelas quais eu tento, todos os dias, incluir na minha forma de estar. Não sou simples. Nem lá perto. Mas sou adepta de clareza e só por aí, já não é mau.  Sou a típica pessoa que adora serviços de streaming. Netflix, hb...

Amo-te Andreia

Perto de começar o último dia dos meus 29 anos, sinto-me triste . A vida está longe de ser aquilo que eu quero que seja, apesar de, conscientemente, saber que está melhor do que algum dia esteve.  Este ano foi de loucos. Vivi muito. Estou cansada . Comecei mais afincadamente o processo de trabalhar em mim mesma e tornar-me, progressivamente, melhor. Não vou negar o orgulho que sinto. Sou uma miúda... perdão, mulher cheia de força. Neste último ano, gostava de dizer que ri mais vezes do que chorei, mas acho que isso não é verdade. Chorei tanto. E escrevo isto com lágrimas nos olhos. É verdade, estou triste... Ganhei confiança em mim mesma, tenho um gosto por estar sozinha que não tinha antes, voltei para a universidade e tenho-me mantido firme, mesmo quando me custa só existir .  Não queria começar os meus 30 anos com esta falta de energia e se há coisa que quero mudar é o quanto permito aos homens que influenciem o meu estado de espírito. A maioria de vocês dir-me-á que sou c...

A ilusão

Muitas vezes, quando bebo, lembro-me de ti.  Que estupidez, nunca estive contigo pessoalmente, mas tens sido uma presença constante na minha vida há anos. Acho que desde 2020. Nem sempre foste dos meus preferidos. Aprendi a gostar de ti. Do teu jeito de ser sempre sincero comigo. Não me lembro de alguma vez ter desconfiado daquilo que me dizias . Não me contas muito, mas também não te negas a responder às minhas inquietações.  Gosto da ideia de ti. De nós . Só consigo imaginar-nos em pequenos momentos, de horas, não consigo visualizar muito mais do que apenas fazer o amor contigo.  Brinquei contigo com o facto de casarmos quando já formos muito velhinhos. Aceitaste. Ambos sabendo que isso nunca irá acontecer. Nenhum de nós quer isso. Tu queres menos do que eu. Mas ainda assim, alinhaste no meu devaneio. E, por isso, és uma das minhas pessoas . Repito, que estupidez. Nunca senti o teu cheiro sequer. E nem sequer sei quando é o teu aniversário. Mas conheço-te. E tu conhece...

Your call is on hold, please hold the line

Costuma acontecer eu interessar-me pelos homens indisponíveis. Podia dizer-vos que é pura casualidade, mas não acredito que seja.  Tenho pensado muito sobre isto da indisponibilidade e no que isso significa. É não ter tempo para estar com o outro? É preferir não partilhar o tempo livre que se tem? Ou é simplesmente não querer qualquer tipo de interação em qualquer circunstância?  Não sei se estou disponível. Ou se sou disponível . Em certos momentos, sinto que sim. Quando estou para aí virada. Quando bebo um pouco mais e quero atenção. Atrai-me quem não está perto. Se estivesse, continuaria a atrair-me?  Na maioria das vezes, só saber que, por certas pessoas, seria capaz de me entregar, de perder o controlo, de viver sem expetativas, só a aproveitar o momento, chega-me. Se preciso de realmente o fazer? Tenho impressão de que nunca seria o suficiente . Porque no momento as expetativas podem não estar lá, mas eventualmente, elas aparecem. Aparecem sempre, porque no fundo, m...

O vestido verde

Duas semanas diferentes. Dois homens diferentes. Surpreendentemente, ambos com o mesmo nome. Com idades parecidas também. Mas é só isso. Ah, usei o mesmo vestido. Porque é novo e eu gosto.  Gostei de ambos. E gosto (talvez?) . As sensações que cada um despertou em mim, não foram, contudo, iguais. Nem tão pouco parecidas. Aos dois tenho que agradecer pela sinceridade e vulnerabilidade. Estou cada vez mais perto de ser melhor. Obrigada .  Falemos sobre cada um individualmente.  Um é assertivo e direto demais (se isso existir). É crítico. São críticas construtivas, diz ele. É querido e quer ver-me feliz, diz ele. É muito vivido, mas também está muito interessado no que tenho a dizer, diz ele. Identifico-me pouco com ele e os nossos interesses não são os mesmos. É fácil fazer com que eu me irrite, mas também é fácil fazer com que eu passe a gostar de estar irritada. Nunca resultaríamos para além do primeiro date. Isto digo eu.  Outro é simples. Não digo isto no mau senti...

Acabou. E depois?

A última vez que me lembro de ser totalmente vulnerável com um parceiro foi contigo, Rodrigo. Lembraste quando nos conhecemos? Tivemos o melhor date de sempre. Fui sem expetativas. Não me eras nada, mas também não ia impedir que te tornasses algo. À primeira vista, não tínhamos nada em comum. Falámos, bebemos, dançamos, rimos. Fomos para tua casa e só dormimos. Eras um estranho, mas senti-me bem na tua presença. Desde cedo.   Rapidamente abriste-me as portas para o teu mundo. E eu sempre reticente. Tu não tinhas dúvidas e eu tinha-as pelos dois. Tivemos conversa atrás de conversa e eu continuava receosa. Chorava muito. Por tristeza, por medo ou talvez só por indecisão . Apareceste numa altura em que tudo era novo para mim e eu não sabia o que queria. Continuo sem saber . Foste um porto seguro para mim e contigo permiti-me cada vez mais ser eu. Ao mesmo tempo que eu ganhava confiança e um espaço maior na tua vida, eu e tu fomo-nos afastando. Era difícil moldar-me a ti. Tentei, mas n...

Piromania

Não sei se somos compatíveis. Questiono. Parece mentira. Gosto de ti ou gosto de gostar de alguém, independentemente de seres tu ou não ? Mexe comigo a falta de atenção. Que saudades dele, que tinha paixão e demonstrava ter. Era fogo. Durou pouco, mas foi intenso. Que saudades.  Adoro que me adorem, que me queiram, que me desejem. Que chato é ser adulta e ter que levar as relações com calma. Não gosto de calmaria . Manda-me mensagem, telefona-me, envia-me fotos, diz que me queres, mostra a tesão que tens por mim. Que saudades . Não consigo ser diferente, mas já sei que o problema sou eu. Estrago tudo, porque quero tudo. Se faz sentido? Provavelmente não. Mas acho que sou alguém que nunca fará sentido, um ser mutável, que permanece sempre igual (?!). Porra, agora ainda menos sentido fez . Quero uma relação ardente ( que saudades! ) daquelas que te fazem morrer por alguém. Não literalmente, mas quase. Andar na corda bamba e quase cair. Ups, quase caí. E se cair, apanhas-me?  (1 ...